segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tecnologia ao Estilo Barack Obama

Terça-feira, dia 20 de janeiro de 2009, é o dia de um evento histórico de magnitude nacional e mundial. Nacional porque os Estados Unidos receberá o seu primeiro Presidente negro mostrando que a consciência do povo americano quanto a questões raciais foi suplantada e que a pureza ianque não é mais um quesito obrigatório para ser eleito Presidente dos Estados Unidos. Outro fato nacional histórico quanto à escolha de Barack Obama é que o país norte-americano passa a mostrar estar mais preocupado com questões relacionadas ao modo americano de vida do que interesses de soberania nacional externa como a invasão do Iraque ou o a base militar em Guantânamo. Mundial porque os Estados Unidos deixa de ser um país preocupado apenas com questões internas ou de orgulho nacional e, com o seu novo Presidente, passa a ter um caráter mais sociável e conciliador com direito a protestos de apoio até do Presidente da Venezuela, o qual vinha demonstrando certa hostilidade em relação aos Estados Unidos.

Nesse viés, com a chegada de Barack Obama, muitos setores americanos tenderão a estabelecer novas estratégias de atuação e Obama, em termos de tecnologia, já começou a demonstrar as suas habilidades.

Na sua campanha eleitoral Obama utilizou a Internet intensivamente para levar as suas propostas ao povo americano e para estar mais próximo do seu eleitorado. Com isso reuniu milhões de seguidores em mecanismos como Facebook, Myspace e YouTube. Só no Facebook Obama contou com mais de 2,5 milhões de correligionários. Atualmente Barack Obama possui uma página na Internet (http://change.gov/) onde os internautas americanos, nessa fase de transição governamental, podem obter informações e contribuir com feedbacks para a nova fase de governo e isso não para por aí. O presidente possui um perfil no Flickr (http://www.flickr.com/photos/barackobamadotcom/) e no Twitter (http://twitter.com/BarackObama) e pretende estabelecer um vínculo direto com os cidadãos americanos por meio de conteúdo multimídia semanal disponibilizado no YouTube para que todos possam acompanhar os seus passos e os da sua equipe de governo, assim como já é feito tradicionalmente em comunicados presidenciais, via rádio, aos sábados, nos Estados Unidos.

Obama é mesmo um amante da tecnologia. Em nota, no seu site de transição, demonstrou grande interesse em expandir a banda-larga em território americano para todas as escolas, hospitais e bibliotecas e comentou indignado: “É inaceitável que os Estados Unidos estejam em 15° lugar no ranking de adoção à banda-larga. Aqui no país que inventou a Internet, cada criança deveria ter a chance de usar a rede, e elas terão essa chance quando eu for presidente, pois é assim que vamos reforçar a competitividade da América no mundo.”

Em outro momento, ao ser questionado quanto a uma possível proibição do uso do seu smartphone pela equipe de segurança do governo, Obama deu sinais de que pretende continuar utilizando o seu BlackBerry do qual não quer abrir mão pelo fato de gostar de enviar e-mails durante as sua locomoções e estar antenado à Internet. Isso será um problema para a sua equipe de segurança ao ter que monitorar um dos seus gadgets preferidos, mas, segundo ele, em tom de brincadeira ao dirigir-se a um repórter: “É uma preocupação, devo acrescentar, não só do serviço secreto, mas também dos advogados. Sabe, esta cidade (Washington) está cheia de advogados, não sei se você notou”.

Quanto ao entretenimento do Excelentíssimo Presidente, Obama adora partilhar de jogos virtuais com as suas filhas e um console da Nintendo (o Wii) já faz parte da bagagem que será levada para a Casa Branca. Além disso, a General Motors desenvolveu um carro (um Cadillac) com alguns deleites tecnológicos para o presidente como: câmeras de visão noturna, canos que disparam gás lacrimogêneo, um botão de alerta máximo para acionar a segurança nacional em caso de risco à segurança do Presidente, um tocador de CD com capacidade para 10 discos, um laptop com wi-fi, um telefone-satélite com comunicação direta com o Pentágono e com o Vice-Presidente, informações via GPS, comunicação eletrônica com o motorista e com possíveis passageiros, etc.

O futuro Presidente dos Estados Unidos não é somente um aficionado por tecnologia, pois, devido à sua popularidade e carisma, já é o próprio produto dela no Quênia, local de origem do seu pai. Lá foi desenvolvido um celular em homenagem a ele que está se tornando um sucesso em vendas conhecido como Mi Obama. O Mi Obama conta com cores da bandeira americana e custa aproximadamente US$ 30,00. Atualmente foram vendidas mais de 1000 unidades. (...)

Preocupado com questões tecnológicas nos Estados Unidos, Obama tratou de montar um bom time para a sua equipe de governo. Estará na sua equipe dois integrantes da Comissão Federal de Comunicações e uma integrante da Google.org. Obama, também, possivelmente terá um CTO para alavancar a infraestrutura norte-americana de TI.

Quanto às futuras implantações do novo governo tem se falado em disponibilizar informações governamentais para acesso à população, tornar digitais os registros médicos, aumentar a velocidade da banda-larga, aumentar o incentivo em tecnologia, principalmente em TI Verde, abrir fóruns para que a população possa influenciar as decisões legislativas, etc.

Para completar os exemplos do uso de tecnologia ao estilo Barack Obama cabe salientar que a transmissão da posse do Presidente será transmitida pela Internet para qualquer terráqueo que queira assistir e essa transmissão será feita utilizando-se uma das mais novas tecnologias da Microsoft – o Silverlight – que foi desenvolvida para competir com a tecnologia Flash da Adobe.

E aí! Você é capaz de duvidar do potencial cultural tecnológico de Barack Obama?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Arquitetura Blade

A centralização de dados e de recursos computacionais físicos já é um dilema antigo que começou com os mainframes (máquinas de grande porte e alto poder de processamento) sendo acessados por terminais-burros (máquinas de baixo desempenho). Nesse modelo todo o processamento e dados ficam concentrados em um ambiente acessado via terminal. Embora antiga, essa arquitetura é atualmente muito utilizada por organizações que necessitam fornecer alta disponibilidade de dados e um número expressivo de acessos simultâneos como agências bancárias e empresas de aviação.

Após os mainframes surgiram as workstations (ou estações de trabalho) e os servidores. Nesse ambiente alguns computadores (os servidores) são mais bem equipados para fornecer serviços às workstations. A diferença em relação aos mainframes, falando superficialmente, é que as estações ficam responsáveis, também, por grande parte do processamento requerido na execução das aplicações. Essa estrutura é conhecida como cliente-servidor e é largamente utilizada nos dias de hoje. Isso se deve, principalmente, pela evolução que os PCs tiveram em termos de hardware e pela ampla utilização que a Internet alcançou trazendo a necessidade de haver muitos servidores e workstations interligados numa rede global. No ambiente cliente-servidor é valorizada a distribuição da carga de processamento às estações de trabalho e aos servidores acessados via rede.

Com os servidores e estações de trabalho em ambientes empresariais médios ou grandes temos os velhos CPDs (Centro de Processamento de Dados). O CPD – hoje mais conhecido como Datacenter – é utilizado para acolher dados organizacionais, componentes de hardware (switchs, storages, etc.) e servidores. Nesse ambiente, questões como consumo de energia, gerenciamento de servidores, balanceamento de carga, backup, gerenciamento da rede, segurança de dados e aplicações, refrigeração, escalonabilidade (flexibilidade para aumentar ou diminuir recursos computacionais) entre outras funções, são monitoradas e gerenciadas por equipe técnica habilitada.

Atualmente os datacenters possuem racks que abrigam os servidores. O racks são “armários” onde os servidores são encaixados. Nessa estrutura um servidor não é um computador (que possui gabinete, monitor, mouse, teclado, etc.) e sim uma unidade menor que abriga processador, memória, placa de rede, entre outros componentes. Para se ter uma idéia, num rack de 42U (cerca de 2 m de altura, 60 cm de largura e 1 m de profundidade – veja a figura abaixo) cabe 42 servidores de 1U (1U=1,75 polegadas). Isso permite que se diminua o espaço onde se abriga os servidores transformando os racks em estruturas mais densas e os datacenters em unidades menores e de mais fácil gerenciamento.


Com o surgimento dos blades em 2001, lançados pela RLX Technologies, a HP, a IBM e a DELL começaram a ver que os Datacenters poderiam assumir uma nova forma ainda mais densa em relação ao que eles conheciam. Outras empresas como a AMD e a Intel viram que poderiam contribuir para esse nicho de mercado com processadores mais específicos.

Um blade é mais que um servidor porque possui embarcados o servidor, switchs e storage simplificando e homogeneizando ainda mais os datacenters. Veja abaixo uma estrutura de datacenter com e sem blade e note a simplificação que a arquitetura com blades possibilita.


Na figura abaixo se pode visualizar um blade com entrada para dois processadores, módulos de memória DIMM, discos SAS ou SATA, unidades Gigabit Ethernet Lan que são conectadas a switchs Ethernet ou Pass Throughs (conexões de passagem direta).


Os blades são armazenados verticalmente em chassis que, por sua vez, são armazenados em racks. Veja a seguir um rack de 42U que possui entrada para 64 blades que podem ser armazenados nos quatro chassis existentes fazendo com que cada chassis comporte 16 blades. Veja a estrutura de hardware que esse rack permite, a simplicidade assumida e note o tamanho do espaço que ele ocupa.

Para quem quer mudar um datacenter com estrutura de servidores para arquiteturas do tipo blade dois fatores devem ser considerados: circulação de ar e distribuição de energia elétrica nos racks. Esses fatores são externos à informática, contudo, cruciais para o bom funcionamento dos datacenters.

As vantagens na utilização de blades são significantes como: redução do consumo de energia, diminuição dos custos de administração com TI (menor custo de manutenção e menor custo de administração), ambientes mais escalonáveis, diminuição de cabeamento e infra-estrutura, etc. Uma possível desvantagem é a dependência que se tem de fornecedores de hardware para essa tecnologia embora a visibilidade dessa tendência venha crescendo e, consequentemente, o número de fornecedores tenda também a crescer.