O Linux, como já é sabido por alguns, é um sistema operacional que foi desenvolvido para ser utilizado e aperfeiçoado livremente e amplamente por uma comunidade ativa de usuários espalhados pelo globo. No começo de sua chegada ao público, muito pouco foram os que o utilizaram por questão de apego ao sistema operacional Windows e por temer-se pela dificuldade e pela instabilidade que encontrariam ao utilizar um sistema que, naquela época, era pouco conhecido e confiável. O tempo passou, o número de usuários começou a aumentar junto com a popularidade do sistema, as vantagens oferecidas pelo Linux começaram a ficar mais atraentes, mais softwares aplicativos para o sistema e inúmeras versões começaram a surgir, a confiança “no pingüim” começou a aumentar, e por aí foi ... . Atualmente, um novo cenário se desenha para o sistema operacional de código aberto que, alem de já representar 20% do mercado de usuários de computador, ganha cada vez mais força na utilização em órgãos públicos
Nas eleições desse ano, por exemplo, o Linux foi implantado em todas as urnas eletrônicas utilizadas no país (480.000 urnas) como alternativa aos sistemas VirtuoOS e Windows CE (veja a figura abaixo). Além da vantagem de deixar de pagar licenças no uso de softwares, economizando assim muito dinheiro que se gastava com isso, a Justiça Eleitoral tornou-se mais transparente porque, por ser o Linux um sistema de código aberto, a apuração do código do sistema das urnas, para demonstrar que não houve fraude, passou a ser total (100%); o que não era feito com os softwares licenciados por terem código proprietário fechado (?%). Outra vantagem é, por mais especulativo que pareça, que o Linux é mais seguro e robusto nos processos eletivos eleitorais do que os seus concorrentes (leia mais aqui).
O Banco do Brasil também está mudando para o Linux. Desde setembro e até o final de 2009, se passarem da fase de teste, todos os caixas eletrônicos estarão rodando o Sistema Operacional Ubuntu. Os motivos serão, além da já conhecida economia com pagamentos de licenças, que o Banco do Brasil terá mais autonomia para modificar o software como melhor lhe aprouver no momento que achar mais adequado (vantagem de um sistema de código aberto) contribuindo, assim, para a modernização dos softwares dos caixas eletrônicos.
Outro caso de utilização do sistema operacional Linux é o caso do Acessa SP. O Acessa SP é um programa de inclusão digital criado pelo Governo do Estado de São Paulo em, por enquanto, 448 municípios com quase 1,5 milhões de usuários cadastrados e com cerca de 33 milhões de atendimentos realizados. Está em funcionamento desde o ano 2000 e graças ao Sistema Operacional Ubuntu o programa está “de vento em popa”. Essa versão do Linux, além de ter possibilitado gratuidade de uso aos paulistas por meio dos milhares de computadores que o utilizam, permite que o programa desenvolva melhoria nas suas versões. Implicitamente, o Acessa SP leva a experiência do uso de uma distribuição Linux a milhões de usuários de computador que freqüentam os seus postos.
A força do sistema operacional do pingüim, como se pôde perceber, está longe de ser subestimada.
Rozenildo Rodrigues Pedroso
Bacharelando em Sistemas de Informação