domingo, 25 de janeiro de 2009

Campus Party Brasil 2009

Hoje terminou um dos maiores eventos de tecnologia que ocorreu esse ano aqui no nosso país. Trata-se da Campus Party, um evento mundial que já teve participação na cúpula Íberoamericana; na Colômbia, doze edições na Espanha e essa é a segunda edição que ocorre aqui no Brasil.

O evento tem como idéia principal reunir entusiastas que juntam os seus equipamentos tecnológicos e levam para um acampamento onde ficam por uma semana expondo os mais variados tipos de tecnologias e trocando experiência com os demais campuseiros e participantes do evento. Nisso, várias pessoas vão visitar o campus e várias entidades montam os seus estandes para apresentar as mais variadas tendências ou curiosidades. Lá, também, há área de alimentação, arena de debates com a participação de pessoas influentes da área tecnológica, local de apresentação de conteúdos, espaço para o “batismo digital” que é uma área para aproximar as pessoas para o ambiente da Internet, etc.

Nesse ano, o tema do evento foi inclusão digital e o que não faltou foi oportunidade para todos estarem conectados ou em interação com a tecnologia. No salão de exposições havia uma área repleta de computadores com pessoas aptas a fazer o papel de agentes de inclusão digital, robôs trafegando pelo espaço e interagindo com os visitantes, jogos a disposição do público, curiosidades como uma TV 3D, ambiente de realidade virtual e cognição, entre outras opções (veja as fotos abaixo).







O que mais chamou a atenção foi a pró-atividade dos participantes do evento e a energia interativa e colaborativa que havia lá dentro com ar de experiência 2.0. Pessoas até então desconhecidas conversavam, faziam novas amizades, adquiriam novos conhecimentos e divertiam-se das mais variadas maneiras tendo a tecnologia como motivação. Para os campuseiros houve, também, a oportunidade de desfrutar de uma conexão ultrarrápida de 10GB. Nada mal, heim!

Na Campus Party desse ano ocorreram muitas coisas. Houve protestos contra a “Lei Azeredo”, quebra de recorde nacional de processamento utilizando overclocking, cursos gratuitos em open-source, desafios como o desafio Maddog, um quê de provocação sobre qualidade e taxas de serviço de telefonia por meio de um orelhão com ligações gratuitas implantado num evento que teve como patrocinadora a Telefônica, etc.

Muitas pessoas populares passaram por lá como o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, músicos, atores, artistas em geral, índios, Tim Berners-Lee (criador da world wide web), Jon Maddog Hall (Diretor Executivo da Linux Fundation) além de outras pessoas que saíram de seus países para vir prestigiar o evento.

A Campus Party alcançou tamanha popularidade que nesse ano ela irá visitar outros países da América Latina e já se cogita em realizá-la em outras capitais brasileiras e em países como Inglaterra e China a partir de 2010.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tecnologia ao Estilo Barack Obama

Terça-feira, dia 20 de janeiro de 2009, é o dia de um evento histórico de magnitude nacional e mundial. Nacional porque os Estados Unidos receberá o seu primeiro Presidente negro mostrando que a consciência do povo americano quanto a questões raciais foi suplantada e que a pureza ianque não é mais um quesito obrigatório para ser eleito Presidente dos Estados Unidos. Outro fato nacional histórico quanto à escolha de Barack Obama é que o país norte-americano passa a mostrar estar mais preocupado com questões relacionadas ao modo americano de vida do que interesses de soberania nacional externa como a invasão do Iraque ou o a base militar em Guantânamo. Mundial porque os Estados Unidos deixa de ser um país preocupado apenas com questões internas ou de orgulho nacional e, com o seu novo Presidente, passa a ter um caráter mais sociável e conciliador com direito a protestos de apoio até do Presidente da Venezuela, o qual vinha demonstrando certa hostilidade em relação aos Estados Unidos.

Nesse viés, com a chegada de Barack Obama, muitos setores americanos tenderão a estabelecer novas estratégias de atuação e Obama, em termos de tecnologia, já começou a demonstrar as suas habilidades.

Na sua campanha eleitoral Obama utilizou a Internet intensivamente para levar as suas propostas ao povo americano e para estar mais próximo do seu eleitorado. Com isso reuniu milhões de seguidores em mecanismos como Facebook, Myspace e YouTube. Só no Facebook Obama contou com mais de 2,5 milhões de correligionários. Atualmente Barack Obama possui uma página na Internet (http://change.gov/) onde os internautas americanos, nessa fase de transição governamental, podem obter informações e contribuir com feedbacks para a nova fase de governo e isso não para por aí. O presidente possui um perfil no Flickr (http://www.flickr.com/photos/barackobamadotcom/) e no Twitter (http://twitter.com/BarackObama) e pretende estabelecer um vínculo direto com os cidadãos americanos por meio de conteúdo multimídia semanal disponibilizado no YouTube para que todos possam acompanhar os seus passos e os da sua equipe de governo, assim como já é feito tradicionalmente em comunicados presidenciais, via rádio, aos sábados, nos Estados Unidos.

Obama é mesmo um amante da tecnologia. Em nota, no seu site de transição, demonstrou grande interesse em expandir a banda-larga em território americano para todas as escolas, hospitais e bibliotecas e comentou indignado: “É inaceitável que os Estados Unidos estejam em 15° lugar no ranking de adoção à banda-larga. Aqui no país que inventou a Internet, cada criança deveria ter a chance de usar a rede, e elas terão essa chance quando eu for presidente, pois é assim que vamos reforçar a competitividade da América no mundo.”

Em outro momento, ao ser questionado quanto a uma possível proibição do uso do seu smartphone pela equipe de segurança do governo, Obama deu sinais de que pretende continuar utilizando o seu BlackBerry do qual não quer abrir mão pelo fato de gostar de enviar e-mails durante as sua locomoções e estar antenado à Internet. Isso será um problema para a sua equipe de segurança ao ter que monitorar um dos seus gadgets preferidos, mas, segundo ele, em tom de brincadeira ao dirigir-se a um repórter: “É uma preocupação, devo acrescentar, não só do serviço secreto, mas também dos advogados. Sabe, esta cidade (Washington) está cheia de advogados, não sei se você notou”.

Quanto ao entretenimento do Excelentíssimo Presidente, Obama adora partilhar de jogos virtuais com as suas filhas e um console da Nintendo (o Wii) já faz parte da bagagem que será levada para a Casa Branca. Além disso, a General Motors desenvolveu um carro (um Cadillac) com alguns deleites tecnológicos para o presidente como: câmeras de visão noturna, canos que disparam gás lacrimogêneo, um botão de alerta máximo para acionar a segurança nacional em caso de risco à segurança do Presidente, um tocador de CD com capacidade para 10 discos, um laptop com wi-fi, um telefone-satélite com comunicação direta com o Pentágono e com o Vice-Presidente, informações via GPS, comunicação eletrônica com o motorista e com possíveis passageiros, etc.

O futuro Presidente dos Estados Unidos não é somente um aficionado por tecnologia, pois, devido à sua popularidade e carisma, já é o próprio produto dela no Quênia, local de origem do seu pai. Lá foi desenvolvido um celular em homenagem a ele que está se tornando um sucesso em vendas conhecido como Mi Obama. O Mi Obama conta com cores da bandeira americana e custa aproximadamente US$ 30,00. Atualmente foram vendidas mais de 1000 unidades. (...)

Preocupado com questões tecnológicas nos Estados Unidos, Obama tratou de montar um bom time para a sua equipe de governo. Estará na sua equipe dois integrantes da Comissão Federal de Comunicações e uma integrante da Google.org. Obama, também, possivelmente terá um CTO para alavancar a infraestrutura norte-americana de TI.

Quanto às futuras implantações do novo governo tem se falado em disponibilizar informações governamentais para acesso à população, tornar digitais os registros médicos, aumentar a velocidade da banda-larga, aumentar o incentivo em tecnologia, principalmente em TI Verde, abrir fóruns para que a população possa influenciar as decisões legislativas, etc.

Para completar os exemplos do uso de tecnologia ao estilo Barack Obama cabe salientar que a transmissão da posse do Presidente será transmitida pela Internet para qualquer terráqueo que queira assistir e essa transmissão será feita utilizando-se uma das mais novas tecnologias da Microsoft – o Silverlight – que foi desenvolvida para competir com a tecnologia Flash da Adobe.

E aí! Você é capaz de duvidar do potencial cultural tecnológico de Barack Obama?

domingo, 11 de janeiro de 2009

Arquitetura Blade

A centralização de dados e de recursos computacionais físicos já é um dilema antigo que começou com os mainframes (máquinas de grande porte e alto poder de processamento) sendo acessados por terminais-burros (máquinas de baixo desempenho). Nesse modelo todo o processamento e dados ficam concentrados em um ambiente acessado via terminal. Embora antiga, essa arquitetura é atualmente muito utilizada por organizações que necessitam fornecer alta disponibilidade de dados e um número expressivo de acessos simultâneos como agências bancárias e empresas de aviação.

Após os mainframes surgiram as workstations (ou estações de trabalho) e os servidores. Nesse ambiente alguns computadores (os servidores) são mais bem equipados para fornecer serviços às workstations. A diferença em relação aos mainframes, falando superficialmente, é que as estações ficam responsáveis, também, por grande parte do processamento requerido na execução das aplicações. Essa estrutura é conhecida como cliente-servidor e é largamente utilizada nos dias de hoje. Isso se deve, principalmente, pela evolução que os PCs tiveram em termos de hardware e pela ampla utilização que a Internet alcançou trazendo a necessidade de haver muitos servidores e workstations interligados numa rede global. No ambiente cliente-servidor é valorizada a distribuição da carga de processamento às estações de trabalho e aos servidores acessados via rede.

Com os servidores e estações de trabalho em ambientes empresariais médios ou grandes temos os velhos CPDs (Centro de Processamento de Dados). O CPD – hoje mais conhecido como Datacenter – é utilizado para acolher dados organizacionais, componentes de hardware (switchs, storages, etc.) e servidores. Nesse ambiente, questões como consumo de energia, gerenciamento de servidores, balanceamento de carga, backup, gerenciamento da rede, segurança de dados e aplicações, refrigeração, escalonabilidade (flexibilidade para aumentar ou diminuir recursos computacionais) entre outras funções, são monitoradas e gerenciadas por equipe técnica habilitada.

Atualmente os datacenters possuem racks que abrigam os servidores. O racks são “armários” onde os servidores são encaixados. Nessa estrutura um servidor não é um computador (que possui gabinete, monitor, mouse, teclado, etc.) e sim uma unidade menor que abriga processador, memória, placa de rede, entre outros componentes. Para se ter uma idéia, num rack de 42U (cerca de 2 m de altura, 60 cm de largura e 1 m de profundidade – veja a figura abaixo) cabe 42 servidores de 1U (1U=1,75 polegadas). Isso permite que se diminua o espaço onde se abriga os servidores transformando os racks em estruturas mais densas e os datacenters em unidades menores e de mais fácil gerenciamento.


Com o surgimento dos blades em 2001, lançados pela RLX Technologies, a HP, a IBM e a DELL começaram a ver que os Datacenters poderiam assumir uma nova forma ainda mais densa em relação ao que eles conheciam. Outras empresas como a AMD e a Intel viram que poderiam contribuir para esse nicho de mercado com processadores mais específicos.

Um blade é mais que um servidor porque possui embarcados o servidor, switchs e storage simplificando e homogeneizando ainda mais os datacenters. Veja abaixo uma estrutura de datacenter com e sem blade e note a simplificação que a arquitetura com blades possibilita.


Na figura abaixo se pode visualizar um blade com entrada para dois processadores, módulos de memória DIMM, discos SAS ou SATA, unidades Gigabit Ethernet Lan que são conectadas a switchs Ethernet ou Pass Throughs (conexões de passagem direta).


Os blades são armazenados verticalmente em chassis que, por sua vez, são armazenados em racks. Veja a seguir um rack de 42U que possui entrada para 64 blades que podem ser armazenados nos quatro chassis existentes fazendo com que cada chassis comporte 16 blades. Veja a estrutura de hardware que esse rack permite, a simplicidade assumida e note o tamanho do espaço que ele ocupa.

Para quem quer mudar um datacenter com estrutura de servidores para arquiteturas do tipo blade dois fatores devem ser considerados: circulação de ar e distribuição de energia elétrica nos racks. Esses fatores são externos à informática, contudo, cruciais para o bom funcionamento dos datacenters.

As vantagens na utilização de blades são significantes como: redução do consumo de energia, diminuição dos custos de administração com TI (menor custo de manutenção e menor custo de administração), ambientes mais escalonáveis, diminuição de cabeamento e infra-estrutura, etc. Uma possível desvantagem é a dependência que se tem de fornecedores de hardware para essa tecnologia embora a visibilidade dessa tendência venha crescendo e, consequentemente, o número de fornecedores tenda também a crescer.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Inteligência para os Negócios com BI



Desde que a Informática passou a fazer parte de ambientes organizacionais é que gerentes, analistas de negócios e empresários reconheceram a importância dela para melhor gerir os seus processos. A Informática é uma ótima aliada por permitir que dados e informações sejam manipulados com mais eficiência a fim de que gestores possam tomar decisões com rapidez, praticidade, segurança e comodidade.

No começo da utilização da Informática nas empresas, o seu modo de uso era pouco eficiente pelo fato de que os dados eram descentralizados por departamentos, o que gerava redundância de dados ou informações de forma imprecisa quando a organização era tratada em sua totalidade. Por exemplo, o setor de Recursos Humanos e o Setor Financeiro poderiam, naquele cenário, trabalhar em paralelo quando, na verdade, isso não deveria ocorrer porque de alguma forma todos os setores da empresa estão interligados. Quando algum funcionário, por exemplo, é contratado ou demitido pelo R.H., esse funcionário entra como ativo ou passivo na contabilidade (gastos com salários e encargos sociais), o que afetará o setor de finanças que irá pagar ou deixar de pagar por aquela mão-de-obra.

Num outro momento, na “onda” do ERP (Enterprise Resource Plaining – Planejamento de Recursos Organizacionais), em outras, palavras, quando os sistemas (ERP) criados para que empresas interliguem os seus setores para que a informação seja tratada de forma holística pelos gerentes e administradores passaram a ser utilizados, a informação começou a ser melhor administrada e conhecida. Por exemplo, com um ERP, quando um produto é comprado, esse produto entra no sistema que cadastra como unidade para o estoque, como patrimônio para a contabilidade, como “investimento” para o setor financeiro; todas essas ações são feitas de uma vez só em uma única operação de entrada no sistema. Quando o mesmo produto é vendido, ao gerar-se uma nota fiscal no sistema, automaticamente essa transação irá tirar a unidade do estoque, injetar o seu valor em dinheiro no setor de finanças, separar o valor de comissão do vendedor (se houver), calcular o valor dos impostos e mudar o patrimônio mobilizado da contabilidade transformando-o em valor monetário. Nesse modelo de administração o gerenciamento dos recursos da empresa numa visão direta dos processos decorrentes é precisa, porém, não é mais que isso. Um administrador com um ERP saberá quanto comprou, saberá quanto vendeu, saberá quanto gastou, saberá quanto lucrou e por aí em diante por meio de relatórios estáticos, no entanto, a sua visão ficará limitada a isso. Com a percepção de que se poderia fazer muito mais com os dados ou informações das empresas, surgiu uma nova metodologia de gerenciamento com sistemas de informação conhecida como BI (lê-se bi-ai).

O BI ou Business Intelligence é uma filosofia administrativa por meio da utilização de ferramentas poderosas na manipulação de bancos de dados que permite cruzar dados para que informações importantes sejam geradas a fim de que administradores possam tomar decisões a partir de um número maior de fatos ou tendências empresariais “percebidas” por essas ferramentas. Uma empresa que, por exemplo, tiver 60 unidades espalhadas pelo Brasil poderia saber qual produto foi mais vendido na empresa como um todo numa determinada unidade de tempo, as características desse produto, o perfil do público consumidor, as unidades vendidas por loja, os hábitos de venda de determinada região, qual vendedor vendeu mais o produto, qual foi o percentual do crescimento de vendas do produto, em qual mês, dia ou hora o produto foi mais vendido, etc.

Com as ferramentas de BI a velocidade, precisão e organização dos dados rompem a barreira dimensional ou bidimensional para torná-los mais flexíveis e multidimensionais fazendo com que possibilidades de cruzamentos sejam múltiplas a benefício do gestor. Seria grosso modo como dar os dados “mastigados” para o gestor tomar uma decisão ou estabelecer uma estratégia.